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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

socorro, arnaldo antunes



Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha

Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta

Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada

Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta

Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

além da alma, paulo leminski e arnaldo antunes


Meu coração lá de longe faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze não tem vaga nem lugar

Pra que me serve um negócio que não cessa de bater
Mas me parece um relógio que acaba de enlouquecer

Pra que que eu quero quem chora se eu estou tão bem assim
E o vazio que vai lá fora, cai macio dentro de mim

domingo, 22 de agosto de 2010

p e n s a m e n t o


Pensamento vem de fora, 
e pensa que vem de dentro, 
pensamento que expectora 
o que no meu peito penso. 

Pensamento a mil por hora, 
tormento a todo momento. 

Por que é que eu penso agora 
sem o meu consentimento? 

Se tudo que comemora 
tem o seu impedimento, 
se tudo aquilo que chora 
cresce com o seu fermento; 
pensamento, dê o fora, 
saia do meu pensamento. 

Pensamento, vá embora, 
desapareça no vento. 

E não jogarei sementes 
em cima do seu cimento. 

Arnaldo Antunes, Antologia - Como É Que Chama O Nome Disso

domingo, 15 de agosto de 2010

O que

         (se) foi

              é (s)ido.



Arnaldo Antunes, Antologia - Como É Que Chama O Nome Disso
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